sexta-feira, 15 de junho de 2018

Canções do maluco

Há duas poesias de que já soube qual era o autor, mas cujo nome já esqueci. Buscas na internet não me esclareceram. Ambas são Canções do Maluco, e sei-as de cor há muitos anos. Como a reprodução dos poemas se baseia na minha memória, é muito possível que a reprodução não seja fiel, do que já peço desculpas.

Canção do Maluco 1

Ao luar, no meio da praça
o maluco pôs-se a contar a sua desgraça
Contava cantando com voz de galo
e toda a gente veio à janela para escutá-lo.

Disse o maluco que o luar
andava atrás dele para o matar.
Disse, e com medo atirou-se a um poço
com a mó dum moinho pendurada ao pescoço.

Calou-se o maluco, e é a mim, agora,
que o luar persegue pelas ruas fora.
E no rumor doce que sobe da água
A mágua que eu escuto é a minha mágua.


Canção do Maluco 2

Nem por aqui, nem por ali
o caminho me agrada.
Por um lado há bruxas,
pelo outro não se vê nada.

Meti ao acaso por um dos dois
e fui parar a um largo sem ninguém.
Nem por aqui, nem por ali
o caminho me convém.

Estavam cães esfomeados devorando o luar
e por aqui e por ali, até ao fim do mundo me deixei ficar.

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