Passando a uma intenção e a um estilo completamente diferentes, tomo a liberdade de transcrever aqui um curto poema do meu pai, João Pedro de Andrade, poema que apenas posso citar de cor, com a possibilidade de erro inerente. Nem sei se o que tiro da memória está completo, mas este poema sempre significou para mim uma grata recordação. O meu pai tornou-se mais conhecido como dramaturgo, escritor, ensaísta e crítico literário e de teatro, mas na juventude dedicou-se à poesia. Ainda muito jovem, publicou várias poesias no jornal da sua terra, Ponte de Sor, os Ecos do Sor. Mais tarde, em 1923, chegou a publicar um livro de versos, Castelos, em edição do autor. Mas o poema que me marcou, apesar de pelo título se poder integrar nesse livro, não consta dele, nem sei onde ou sequer que se foi publicado, só sei que o conheço de cor por o ter ouvido ao meu pai.
Castelo de Santiago
Castelo de Santiago,
Castelo altivo e tristonho,
De aspecto solene e vago
És a ruína dum sonho.
Talvez um dia em teu seio
Eu vá repousar com calma,
Quando findar este anseio
Que trago dentro da alma.
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| Castelo de Santiago |
Esta última quadra pode parecer estranha a quem não souber que o interior do Castelo de Santiago contém o cemitério da cidade.
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