terça-feira, 24 de abril de 2018

Castelo de Santiago

Passando a uma intenção e a um estilo completamente diferentes, tomo a liberdade de transcrever aqui um curto poema do meu pai, João Pedro de Andrade, poema que apenas posso citar de cor, com a possibilidade de erro inerente. Nem sei se o que tiro da memória está completo, mas este poema sempre significou para mim uma grata recordação. O meu pai tornou-se mais conhecido como dramaturgo, escritor, ensaísta e crítico literário e de teatro, mas na juventude dedicou-se à poesia. Ainda muito jovem, publicou várias poesias no jornal da sua terra, Ponte de Sor, os Ecos do Sor. Mais tarde, em 1923, chegou a publicar um livro de versos, Castelos, em edição do autor. Mas o poema que me marcou, apesar de pelo título se poder integrar nesse livro, não consta dele, nem sei onde ou sequer que se foi publicado, só sei que o conheço de cor por o ter ouvido ao meu pai.

Castelo de Santiago

Castelo de Santiago,
Castelo altivo e tristonho,
De aspecto solene e vago
És a ruína dum sonho.

Talvez um dia em teu seio
Eu vá repousar com calma,
Quando findar este anseio
Que trago dentro da alma.

Castelo de Santiago


Esta última quadra pode parecer estranha a quem não souber que o interior do Castelo de Santiago contém o cemitério da cidade.

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