domingo, 1 de abril de 2018

Soneto

Eis um soneto que recordo ser recitado pela minha mãe e de que não sei o autor. Uma busca no Google só me permitiu saber que há quem partilhe da minha dúvida. Pensava que talvez fosse de Florbela Espanca, mas a consulta dos seus sonetos completos mostrou que não. Continuo na ignorância, mas o soneto é tão belo e o seu sentido tão justo que, mesmo de autor desconhecido, não tenho dúvidas em o introduzir como primeira mensagem deste blog.

Eu nunca tive a mais pequena queixa
D’alguém que eu veja que me vai fugir.
Só quem nos não quer bem é que nos deixa
E quem nos não quer bem, deixá-lo ir!

Que faz do seu orgulho o que se queixa?
Falha o presente, temos o porvir.
E a um coração que um dia se nos fecha
Não nos resta o direito de o abrir.

Nada a ninguém faz falta, eis a verdade,
E uma afeição é apenas um detalhe
Na nossa vida cheia de ansiedade.

E por cada afeição que nós percamos,
Por cada coração que se nos feche,
É uma grande certeza que ganhamos.

Sem comentários:

Enviar um comentário