Insisto uma vez mais em escolher uma poesia do meu pai, já que a que ontem aqui deixei era uma pálida amostra da sua obra poética da juventude. Agora, do único livro de poesia que publicou, já ontem aqui citado, Castelos, de 1923, escolhi um dos sonetos aí contidos. Respeitei a ortografia original.
Despertar
Somos da terra, amor, somos da terra...
P'ra que criar um vôo imaginário
P'lo ceu em fora, se o horizonte vário
Ao nosso olhar cativo se descerra?
Se a vontade divina nos desterra
Neste torrão longinquo e solitário,
P'ra que buscar um mundo extraordinário
Cuja visão remota nos aterra?
O mundo é vasto, o amor mais vasto ainda.
Á nossa volta, a Natureza é linda.
De braço dado pela estrada fora,
Sigamos, pois, serenos e contentes,
Olhando a braza rubra dos poentes
Ou o despontar fantástico da aurora.

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